Monday, December 04, 2006

Análise Zelig (Zelig)

Zelig passa longe de ser um filme ruim. Muitíssimo longe, diga-se de passagem. É um bom filme, mas não chega a ser excelente por alguns pontos que podem parecer bestas, mas no final fazem uma diferença maior que a aparente.

Escrito, dirigido e estrelado por Woody Allen. Zelig é uma biografia convincente do homônimo Leonard Zelig, que é conhecido como o homem camaleão por poder adquirir características que quem está a sua volta (nos exemplos do filmes, ele ficou negro no meio de dois negros e ficou gordo no meio de dois gordos). O filme seria uma biografia perfeita de Zelig se não fosse por um simples fato: Zelig nunca existiu.

O filme é rodado em sua maior parte em preto e branco, como se fossem imagens resgatadas de filmagens antigas, com interlúdios em colorido, que são depoimentos de pessoas que conheceram Zelig. Woody também opta por montagens com filmagens de antigas personalidades, como Hitler, inserindo o personagem de Zelig.

Então, em sua proposta (uma biografia inventada) o filme sai com louvores. Mas mesmo curto (1h20min), a fórmula enjoa depois da metade. O resto do filme passamos pensando se aquilo realmente seria um filme de Woody Allen, afinal existem poucos diálogos (mesmo com alguns marcantes), que são a maior marca do roteirista. As ironias também são poucas, mas bem implementadas.

O filme, como dito, está longe de ser ruim. Talvez um worth-seeing, mas sendo de Woody Allen sempre esperamos mais. E se existe um ponto irretocável, é a capa do DVD, mostrando toda a idéia do filme apenas com o nome Zelig.

Nota: 7,0

Thursday, November 23, 2006

Análise Melhor é Impossível (As Good As It Gets)

Pensei que viria escrever essa análise em estado de êxtase por ter assistido um dos melhores filmes da minha vida. Pensei isso até a metade do filme. Não que Melhor é Impossível deixe de ser maravilhoso, mas perde o ritmo na sua segunda metade.

Melvin Udall (Jack Nicholson) é um homem que sofre de esquizofrenia. Isso faz dele alguém insuportável: não gosta de negros, gays e animais, ofende a todos, etc. Além disso ele é um obsessivo-compulsivo. Para a sua ‘sorte’, seu vizinho é um pintor gay (Greg Kinnear), assessorado por um negro (Cuba Gooding, Jr.) e tem um cachorrinho de estimação. Melvin sempre vai num lanchonete, onde conhece Carol (Helen Hunt), que é a única que o agüenta, mesmo quando os outros clientes, funcionários e até dono da lanchonete não o suportam.

Melvin seria realmente insuportável se não fosse interpretado por Jack Nicholson que tira do público uma compaixão para com a doença de Melvin, quase nunca o tornando irritante. A sua brilhante atuação lhe rendeu um Oscar. Helen Hunt também está fenomenal, fazendo com que qualquer um realmente se comova com o sofrimento dela como mãe, tendo um filho com uma grave tosse alérgica e não podendo dar para ele o melhor atendimento médico pela falta de dinheiro. Também ganhou o Oscar. Outro ator com grande destaque é o coadjuvante Greg Kinnear. Maravilhosamente bem como o pintor gay Simon. Numa cena em particular ele mostra um imenso talento: sofrendo de falta de inspiração para pintar, vindo de um exposição fracassada e graves problemas financeiros, Simon finalmente acha uma pose de Carol por acaso e a expressão de alegria de Simon é algo excepcional, o rosto estático, os olhos brilhates.

O filme tem algumas piadas em pontos chaves para quebrar a tensão de alguma cena. Assim você nunca fica tenso e o filme se desenrola de maneira muito agradável. Em algumas piadas você dá um risada como se estivesse quase chorando, principalmente nas que Melvin tenta ser gentil, superando a sua doença.

A primeira parte mostra a doença de Melvin, como ele lhe dá com ela e os problemas que ela trás. Esse início é excepcional e faz você achar que melhor é impossível. Até aí o filme merecia um ranking entra os melhores filmes de todos os tempos. Mas quando chega a segunda parte bate a decepção. A doença de Melvin é posta de lado em função de mostrar a sua paixão por Carol. Mas de vez em quando alguma cena mostra Melvin sem querer pisar nas divisórias entre as pedras do chão, em virtude de sua obsessão compulsiva. Mas elas soam tão artificiais como se a doença dele falasse “ei, ainda estou aqui”.

Mesmo com alguns deslizes, Melhor é Impossível continua um filme maravilhoso, com atuações excepcionais e um história agradabilíssima. Com uma primeira parte excepcional e uma segunda parte meio fraca, você fica com uma sensação de melhor é possível, mas um pouco difícil.

Nota: 8,0

Análise Vôo 93 (United 93)

Quais as chances de um filme baseado em um assunto polêmico com os atentados de 11/09 e com atores desconhecidos dar certo? Poucas. Mas elas existem e foram as que valeram.

Paul Greengrass dirige essa bela surpresa de 2006 e faz uma bela escolha ao escolher atores desconhecidos e abordar o 11/09 não pela perspectiva do WTC e sim por um avião que não chegou ao seu destino. O WTC é apenas uma parte da introdução de Vôo 93.

A história todos já sabem, mas nem por isso o filme deixa de chocar. Pela escolha de atores que ninguém conhece se passa a idéia de que todos agem juntos e que qualquer um pode mudar tudo, não existe herói. Assim, o foco fica mais nos fatos e não em certo personagem. Mas nem por serem desconhecidos os atores são fracos. Muito pelo contrário, cada um faz um excelente papel mostrando a aflição e desespero dos passageiros do avião, a ansiedade e nervosismo dos terroristas e a angústia contida de quem trabalhava para identificar o seqüestro do avião.

Outro ponto de destaque é a câmera. Greengrass usa movimentos de câmera com muito movimento e poucos cortes, como você estivesse no meio da ação. Quando fica mais tenso a câmera fica mais frenética, ela se mexe como se estivesse “respirando”, quando algum personagem aponta algo, ela se move como se fosse você olhando. Pena que algumas (raras) vezes ela é frenética demais e acaba lhe deixando perdido no meio da ação.

Mas a câmera só não é responsável por toda a tensão, algumas cenas mais angustiantes são mais longas e passam belissimamente bem essa sensação.

Um aspecto importantíssimo para o bom andamento do filme seriam os terroristas. Com muitos diretores eles seriam esteriótipos, mas Greengrass mostra-os receosos em começar o seqüestro, aflitos com a situação de a qualquer momento serem confrontados pelos passageiros.

Vôo 93 é uma belíssima surpresa e que tem por obrigação ser indicado ao Oscar. Pode parecer muito, mas já considero um must see.

Nota: 10,0

Tuesday, August 08, 2006

O estudo é o ópio do povo

Eu pelo menos fico doidão.