Análise Melhor é Impossível (As Good As It Gets)
Pensei que viria escrever essa análise em estado de êxtase por ter assistido um dos melhores filmes da minha vida. Pensei isso até a metade do filme. Não que Melhor é Impossível deixe de ser maravilhoso, mas perde o ritmo na sua segunda metade.Melvin Udall (Jack Nicholson) é um homem que sofre de esquizofrenia. Isso faz dele alguém insuportável: não gosta de negros, gays e animais, ofende a todos, etc. Além disso ele é um obsessivo-compulsivo. Para a sua ‘sorte’, seu vizinho é um pintor gay (Greg Kinnear), assessorado por um negro (Cuba Gooding, Jr.) e tem um cachorrinho de estimação. Melvin sempre vai num lanchonete, onde conhece Carol (Helen Hunt), que é a única que o agüenta, mesmo quando os outros clientes, funcionários e até dono da lanchonete não o suportam.
Melvin seria realmente insuportável se não fosse interpretado por Jack Nicholson que tira do público uma compaixão para com a doença de Melvin, quase nunca o tornando irritante. A sua brilhante atuação lhe rendeu um Oscar. Helen Hunt também está fenomenal, fazendo com que qualquer um realmente se comova com o sofrimento dela como mãe, tendo um filho com uma grave tosse alérgica e não podendo dar para ele o melhor atendimento médico pela falta de dinheiro. Também ganhou o Oscar. Outro ator com grande destaque é o coadjuvante Greg Kinnear. Maravilhosamente bem como o pintor gay Simon. Numa cena em particular ele mostra um imenso talento: sofrendo de falta de inspiração para pintar, vindo de um exposição fracassada e graves problemas financeiros, Simon finalmente acha uma pose de Carol por acaso e a expressão de alegria de Simon é algo excepcional, o rosto estático, os olhos brilhates.
O filme tem algumas piadas em pontos chaves para quebrar a tensão de alguma cena. Assim você nunca fica tenso e o filme se desenrola de maneira muito agradável. Em algumas piadas você dá um risada como se estivesse quase chorando, principalmente nas que Melvin tenta ser gentil, superando a sua doença.
A primeira parte mostra a doença de Melvin, como ele lhe dá com ela e os problemas que ela trás. Esse início é excepcional e faz você achar que melhor é impossível. Até aí o filme merecia um ranking entra os melhores filmes de todos os tempos. Mas quando chega a segunda parte bate a decepção. A doença de Melvin é posta de lado em função de mostrar a sua paixão por Carol. Mas de vez em quando alguma cena mostra Melvin sem querer pisar nas divisórias entre as pedras do chão, em virtude de sua obsessão compulsiva. Mas elas soam tão artificiais como se a doença dele falasse “ei, ainda estou aqui”.
Mesmo com alguns deslizes, Melhor é Impossível continua um filme maravilhoso, com atuações excepcionais e um história agradabilíssima. Com uma primeira parte excepcional e uma segunda parte meio fraca, você fica com uma sensação de melhor é possível, mas um pouco difícil.
Nota: 8,0


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