Análise Vôo 93 (United 93)
Quais as chances de um filme baseado em um assunto polêmico com os atentados de 11/09 e com atores desconhecidos dar certo? Poucas. Mas elas existem e foram as que valeram.Paul Greengrass dirige essa bela surpresa de 2006 e faz uma bela escolha ao escolher atores desconhecidos e abordar o 11/09 não pela perspectiva do WTC e sim por um avião que não chegou ao seu destino. O WTC é apenas uma parte da introdução de Vôo 93.
A história todos já sabem, mas nem por isso o filme deixa de chocar. Pela escolha de atores que ninguém conhece se passa a idéia de que todos agem juntos e que qualquer um pode mudar tudo, não existe herói. Assim, o foco fica mais nos fatos e não em certo personagem. Mas nem por serem desconhecidos os atores são fracos. Muito pelo contrário, cada um faz um excelente papel mostrando a aflição e desespero dos passageiros do avião, a ansiedade e nervosismo dos terroristas e a angústia contida de quem trabalhava para identificar o seqüestro do avião.
Outro ponto de destaque é a câmera. Greengrass usa movimentos de câmera com muito movimento e poucos cortes, como você estivesse no meio da ação. Quando fica mais tenso a câmera fica mais frenética, ela se mexe como se estivesse “respirando”, quando algum personagem aponta algo, ela se move como se fosse você olhando. Pena que algumas (raras) vezes ela é frenética demais e acaba lhe deixando perdido no meio da ação.
Mas a câmera só não é responsável por toda a tensão, algumas cenas mais angustiantes são mais longas e passam belissimamente bem essa sensação.
Um aspecto importantíssimo para o bom andamento do filme seriam os terroristas. Com muitos diretores eles seriam esteriótipos, mas Greengrass mostra-os receosos em começar o seqüestro, aflitos com a situação de a qualquer momento serem confrontados pelos passageiros.
Vôo 93 é uma belíssima surpresa e que tem por obrigação ser indicado ao Oscar. Pode parecer muito, mas já considero um must see.
Nota: 10,0


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